CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

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Dr. Alberto Henriques de Araújo

 

Biografia escrita por Emanuel Janes, publicada na Revista SABER Junho, 2004

 

 

Araújo, Dr. Alberto Henriques

 

Era natural do Funchal, onde nasceu na freguesia de São Pedro, a 3 de Março de 1903, tendo falecido também no Funchal a 28 de Outubro de 1997. Era filho de João Isidoro de Araújo Figueira, comerciante natural de Câmara de Lobos  e de Virgínia Henriques de Araújo. Casou com Vera Bettencourt da Câmara, filha do coronel António Bettencourt da Câmara e de Joana Sultana Abudarham, de quem não houve geração.

Depois de receber a instrução primária numa escola particular e de ter frequentado o  Liceu do Funchal, matriculou-se na faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se formou em 1925, com a classificação de 18 valores.

Enquanto estudante universitário, chegou a ser presidente da Assembleia Geral da Associação Académica de Coimbra.

Depois de ter estagiado em Coimbra regressou ao Funchal, passando a fazer parte do quadro de advogados desta comarca. Um dos seus primeiros casos, como advogado, terá sido defesa de João Baptista Gonçalves, que havia assassinado, junto à capela do Bom Sucesso, no Garachico, a 22 de Maio de 1927, o padre Joaquim André Passos, capelão cantor da Sé Catedral e que ali era hábito vir celebrar missa, em virtude de não lhe ter autorizado o casamento segundo os rituais da igreja, com uma segunda mulher, estando a primeira ainda viva.

Foi Director do Diário de Notícias, desde 31 de Março de 1931, até 10 de Maio de 1974, altura em que abandonou o cargo a seu pedido. Justificando mais tarde os motivos que o levaram a formular o pedido de demissão das funções que vinha exercendo, o Dr. Alberto de Araújo afirmaria que logo após o 25 de Abril e em virtude do meu passado político comecei a pensar que não deveria continuar à frente do Diário. E, tendo reunido os redactores todos fomos unânimes e de opinião que a minha continuação na Direcção do jornal poderia prejudicar o Diário de Notícias e todos quantos ali trabalhavam. Dentro de uma postura de cordialidade apresentei a minha demissão à empresa [1], [2].

Durante 24 anos, entre 1945 e 1969 foi deputado pelo Círculo da Madeira à Assembleia Nacional, tendo feito parte de diversas comissões parlamentares, nomeadamente da Comissão de Finanças e da Comissão dos Negócios Estrangeiros, da qual chegou a ser seu secretário, facto que o fez representar os parlamentares portugueses  em diversas reuniões e trabalhos da NATO, na Europa e nos Estados Unidos.

Das lutas travadas em São Bento em prol da Madeira, no seu exercício de deputado e onde demonstrou invejáveis dotes de orador, haverá que destacar as obras do Porto do Funchal, a construção do aeroporto, a renovação da rede de estradas, a rearborização das serras madeirenses, etc.

Em 1963 foi eleito presidente da Associação Comercial do Funchal, onde se manteve durante 13 anos e também, presidente, por inerência, do Conselho de Turismo. Fez ainda parte da Junta Autónoma dos Portos.

Foi presidente da Comissão Distrital da Acção Nacional Popular e, em 1972, foi nomeado presidente da sua Comissão Consultiva.

Durante vários anos foi membro do Conselho de Administração do Reid’s Hotel e da Madeira Wine Association.

Fez parte das Delegações da Ordem dos Advogados na Madeira, a que presidiram os Drs. Manuel Gregório Pestana Júnior e Dr. Frederico de Freitas.

Foi agraciado em 1936, pelo Governo Português com o Grau de Oficial da Ordem de Cristo; pelo Governo Espanhol com a comenda da Ordem de Isabel a Católica e pelo Governo Francês, com as Palmas Académicas, em 13 de Maio de 1939 e, em 1955, pelo mesmo Governo com as Insígnias da Legião de Honra.

A 21 de Agosto de 1992 recebeu a Medalha de Honra da Cidade do Funchal.

A 16 de Outubro de 1992, numa sessão solene, recebeu a Medalha de Ouro da Ordem dos Advogados.

No dia 28 de Janeiro de 1990, é a figura de destaque no programa da RTP-Madeira, Retratos da Madeira, realizado por Eduardo Geada.

Num seu escrito, José António Gonçalves destaca ainda os dotes poéticos de Alberto Henriques de Araújo, através da recordação de dois poemas seus compostos quando tinha 16 anos e publicados em 1919, no Diário da Madeira.



[1]     Diário de Notícias, 15 de Agosto de 1992.

[2]     FERNANDES, Nicodemos. Tenho saudades de alguns aspectos da Madeira antiga, mas admiro a Madeira nova. Diário de Notícias, 15 de Agosto de 1992.

Câmara de Lobos

Dicionário Corográfico
Edição electrónica

Manuel Pedro Freitas