CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

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Estrada Bispo Manuel Joaquim Gonçalves Andrade

 

Caminho existente na freguesia da Quinta Grande, estendendo-se entre a estrada Profª. Alice do Carmo Gonçalves Azevedo Pereira, junto à praceta 24 de Julho de 1848 e a estrada João Gonçalves Zarco, depois de passar junto à igreja paroquial. Em toda a sua extensão este arruamento corresponde a um dos segmentos da antiga estrada real 23, no seu trajecto pelo sítio da Igreja da Quinta Grande. Esta estrada possui um troço com acessibilidade a automóvel e outro apenas pedestre.
 

Corresponde este arruamento a um segmento da antiga estrada real 23  no seu trajecto pelo centro da Quinta Grande, estendendo-se entre a estrada profª. Alice do Carmo Gonçalves Azevedo Pereira e a estrada João Gonçalves Zarco e passando junto à igreja matriz da Quinta Grande. Ao longo dos anos foi alvo de várias obras de alargamento. Possui esta estrada dois troços distintos, um com acesso automóvel e que se estende entre a estrada profª. Alice Pereira e a igreja matriz e que, em 1972, foi sujeito, numa parte do seu trajecto, a pavimentação betuminosa, na sequência da construção do caminho de acesso a automóvel à igreja matriz, em cujo projecto ficou incluído e outro troço, pedestre, entre a igreja e a estrada João Gonçalves Zarco, onde termina no lugar da Porta da Quinta.

A homenagem
Por deliberação camarária de 9 de Julho de 1998,, a Quinta Grande passa a Ter um arruamento com o nome do Bispo Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade

Na sua sessão de 9 de Julho de 1998, a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, sob proposta da Junta de Freguesia da Quinta Grande, deliberou atribuir o nome do bispo Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade a este arruamento.

Ainda que, tal como tem vindo a acontecer com outras deliberações toponímicas recentes, na acta camarária nada conste relativamente aos motivos que terão levado a esta homenagem, os seus proponentes pretenderam prestar homenagem a um dos seus ilustres filhos, que foi bispo de São Paulo no Brasil.

A necessidade de alargamento
Marginando a igreja matriz da freguesia da Quinta Grande, a hoje denominada estrada bispo Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade, nem por isso, mereceu ao longo dos tempos, por parte dos responsáveis políticos, a atenção que lhe era devido.

Estreita como era na maior parte do seu trajecto, esta velha estrada 23, junto à igreja da freguesia da Quinta Grande, para além de não dar qualquer dignidade ao local, tornava-se insuficiente para responder às necessidades, não só por ocasião dos actos de culto rotineiros, como principalmente por ocasião de festejos, nomeadamente em honra do seu orago, Nossa Senhora dos Remédios. A este propósito, não esqueçamos que à festa de Nossa Senhora dos Remédios, no tempo em que os médicos eram poucos e as alternativas terapêuticas escassas, acorriam, por ocasião desta festa, inúmeros forasteiros, a fim  de pagar graças alcançadas ou pedir a sua mediação na resolução de eventuais problemas que os afligiam.

Por esse facto, é natural que, ao longo tempo, várias tenham sido as vozes a reclamarem e a exigirem o alargamento da estrada junto à igreja.

O correspondente de O Jornal, na sua edição de 28 de Outubro de 1930 referia que a Junta Geral havia deliberado dar resolução a um melhoramento há muito desejado pela população, ou seja, o alargamento da estrada nacional 23 no sítio da Igreja. Sobre o mesmo assunto, o Diário da Madeira, na sua edição de 4 de Novembro de 1930, refere que tinha sido presente, na reunião da Junta Geral, o projecto de alargamento da antiga estrada nacional nº 23, no sítio da igreja Quinta Grande na importância de 9.174$42, situação que ficaria no entanto para estudar, sem que posteriormente tivesse qualquer seguimento. Esse facto é, aliás confirmado através de uma notícia publicada pelo O Jornal de 10 de Junho de 1931, onde o correspondente local, a propósito da visita do presidente da Junta Geral à freguesia da Quinta Grande, refere que a população aproveitou a oportunidade para também lhe pedir a construção de um largo atrás da igreja.

Na sua edição de 7 de Agosto de 1931, o correspondente local de O Jornal ao fazer um breve levantamento das carências da Quinta Grande aponta como prioritárias, o alargamento da estrada junto à igreja e que só tinha dois metros de largura e para cujas obras o orçamento era, no ano anterior, de 9 contos, importância relativamente diminuta quando em causa estava o interesse de 1200 almas.

O tempo entretanto terá passado sem que o prometido alargamento tivesse sido concretizado. Em 1944, de acordo com uma notícia veiculada pelo correspondente local do Eco do Funchal de 1 de Outubro, de entre as deliberações da última sessão camarária, havia sido dada em arrematação o alargamento do caminho municipal da Quinta Grande.

Sobre essa obra, o Jornal da Madeira de 25 de Janeiro de 1945, dá conta de que a pretensão da população da Quinta Grande em ter o alargamento e calcetamento da estrada anexa ao adro da igreja já teria cerca de 27 anos. Contudo, só no decurso de 1944 sob a presidência de João Ernesto Pereira tal foi possível, tendo a sua inauguração ocorrido por ocasião das festividades em honra do Santíssimo Sacramento.

Apesar deste alargamento, outros viriam a ser necessários, o que atesta que provavelmente o anterior teria ficado aquém das necessidades e, na sessão camarária de 5 de Setembro de 1951, do plano de actividades para o ano seguinte fazia parte o alargamento do caminho junto à igreja. Relativamente  a este alargamento, o Jornal da Madeira de 8 de Setembro de 1951, através do seu correspondente na Quinta Grande, dá conta de que o principal melhoramento porque ansiava a população da Quinta Grande era o alargamento do caminho e veredas que colocassem a população da Quinta Grande em comunicação com a estrada 101.

Um caminho para carros
Em 1953, o Jornal da Madeira de 6 de Setembro, dá conta de que a Câmara Municipal de Câmara de Lobos projectava a construção de um caminho entre a estrada nacional  e a igreja paroquial, o que vinha ao encontro da população, desconhecendo-se, no entanto qual o âmbito desta obra, ou seja, se corresponderia ao alargamento do caminho já existente entre a igreja e a estrada nacional, hoje incluído na estrada Bispo Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade, se a de um novo caminho.

Na sua sessão de 28 de Outubro de 1953, a Câmara retoma as intenções expressas em 5 de Setembro de 1951 e delibera incluir, no plano de obras a levar a efeito nos anos de 1954 e 1955, o alargamento do caminho junto à Igreja da Quinta Grande

Contudo, estas obras não viriam a passar de meras intenções, uma vez que, de acordo com o Eco do Funchal de 8 de Abril de 1957, a Câmara Municipal de Câmara de Lobos havia voltado a deliberar proceder ao alargamento do ramal do caminho municipal para o sítio da Igreja, na freguesia da Quinta Grande, acrescentando-se ser seu  objectivo o de permitir a passagem de veículos. Nesta deliberação é ainda incluída a melhoria da rampa de acesso à igreja através da colocação de degraus e corrimões.

Na sua sessão de 27 de Agosto de 1958, considerando a necessidade de melhorar o caminho de ligação da estrada regional à igreja, a Câmara volta a deliberar proceder por administração directa, ao alargamento do caminho, obras que ao que parece se terão iniciado, uma vez que desse facto dá conta um dos zeladores na sessão camarária de 10 de Setembro de 1958.

A 10 de Setembro de 1958, do plano de actividades para o ano seguinte a continuidade destas obras de alargamento da estrada junto à igreja até à estrada nacional 101, voltam a estar previstas, sem que, no entanto, fossem concretizadas.

Na sessão de 12 de Fevereiro de 1964 volta a ser deliberado executar novo alargamento do caminho municipal da Quinta Grande, desta vez numa extensão de 47 metros, entre a casa de Manuel Rodrigues e a ponte passando em frente dos mictórios, construídos em 1963, sendo a obra adjudicada, na sessão camarária de 26 de Fevereiro de 1964, a Manuel Figueira de Faria, calculando-se que a sua conclusão terá acontecido em finais de Agosto de 1964.

Finalmente o caminho
Na sua sessão de 27 de Abril de 1960, o presidente da Câmara, depois de uma visita efectuada à Quinta Grande, informou os restantes vereadores da sua surpresa perante o mau estado em que se encontrava o caminho municipal que ligava a estrada nacional 101 à igreja daquela freguesia, referindo, a este propósito, ser quase inacreditável que a igreja paroquial de uma freguesia que já no recenseamento geral de 1950 contava com 355 fogos, com uma população de 1834 habitantes não fosse servida por uma estrada que permitisse a circulação rodoviária. Esta população ansiava desde há muito ver a parte mais populosa da freguesia que é o sítio da igreja, servida por uma estrada por onde possa em caso de doença chegar-lhe um médico e com ele a esperança de uma cura rápida ou mesmo uma vida salva.

A título de informação refira-se que nesta data, o acesso entre a estrada nacional 101 e a igreja era feito através do lugar da Porta da Quinta e não através da estrada Profª. Alice Pereira.

Esta estrada vem aliás a ser aberta, na sequência desta visita, datando de 14 de Setembro de 1960 a aprovação do projecto e de 10 de Novembro de 1965 a adjudicação das obras de terraplanagem e de 19 de Janeiro de 1972 a adjudicação das obras inerentes à sua pavimentação.

O projecto desta nova estrada incluía a terraplanagem de um troço de cerca de 600 metros de extensão e a sua conexão  com a hoje denominada estrada Bispo Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade.

Este facto, fez com que no que diz respeito à empreitada de terraplanagem só fosse incluída na adjudicação a parte nova da estrada, mas relativamente à pavimentação fosse incluída tanto a nova como o velho caminho, ou seja, toda a extensão entre a estrada nacional 101 e a igreja.

Com efeito, nas proximidades da igreja já existia um velho caminho, a que hoje corresponde a maior parte da estrada bispo Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade e que por várias vezes, havia sido sujeito a obras de alargamento. Ora, existindo este caminho e tendo ele sido incluído na nova estrada de acesso à igreja, a partir da estrada nacional 101, no trajecto ocupado por ele não houve necessidade de efectuar quaisquer obras de terraplanagem, o que, no entanto não aconteceria com a pavimentação, não só, porque se encontrava em péssimo estado, como houve necessidade de o preparar para receber o automóvel.

Referências mais importantes
Apesar de ser, na maior parte da sua extensão, um arruamento relativamente estreito e possuir um segmento inacessível a automóveis, a estrada Bispo Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade, é aquela que, na Quinta Grande, mais história e importância tem.

Para além da igreja paroquial de Nossa Senhora dos Remédios, que constitui a referência mais importante deste arruamento, haverá ainda a salientar o edifício onde se encontram instaladas quer as salas destinadas ao ensino da catequese, quer o salão paroquial e inaugurado, no que se refere às salas de catequese, a 15 de Março de 1995 e, no que se refere ao salão paroquial a 17 de Dezembro do mesmo ano. Nesta rua encontram-se também o posto dos correios, a funcionar desde 1997 , o posto farmacêutico da farmácia Nini, inaugurado no dia 19 de Março de 1995 e o centro de saúde, inaugurado em 11 de Março de 1980, o centro local da Direcção Regional de Segurança Social, isto a par de alguns estabelecimentos comerciais.

Está ainda a rua Bispo Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade ligada aos festejos inerentes à inauguração da iluminação eléctrica na freguesia da Quinta Grande, uma vez que, foi onde a 14 de Dezembro de 1958 tiveram lugar as respectivas cerimónias. Com efeito, na sessão camarária de 10 de Dezembro de 1958, foi deliberado organizar uma festa por ocasião da inauguração da energia eléctrica, onde deveria ter lugar um concerto pela Banda Municipal de Câmara de Lobos e a iluminação da fachada da igreja paroquial e dos arredores.

À margem desta estrada existiram também uns sanitários públicos, construídos em 1963 recentemente demolidos .

Refira-se a propósito dos sanitários que as intenções da sua construção remontavam pelo menos a 1951, tendo a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, nas suas sessões de 5 de Setembro  e de 23 de Outubro desse ano, feito incluir no seu plano de actividades dos anos de 1952 e 1953, a sua construção. Na sessão de 28 de Outubro de 1953 estes voltam, no entanto, a constar do plano de actividades para 1954 e 1955.

Na sua sessão de 8 de Novembro de 1961 a Câmara delibera encarregar o desenhador Humberto Cardoso de elaborar o projecto destinado a uns sanitários a instalar no sítio da Igreja.

Na sessão camarária de 25 de Setembro de 1963 é presente a 1ª liquidação da obra de construção dos sanitários que ao que tudo indica haviam sido adjudicados a João Gregório de Nóbrega, tendo a segunda liquidação e provavelmente a última, lugar a 11 de Dezembro de 1963.

Nesta rua estiveram instaladas, até 28 de Setembro de 1995, a primitiva sede da Junta de Freguesia da Quinta Grande; a primitiva Casa do Povo da Quinta Grande, criada por volta de 1973 e sitiada na casa de residência de Manuel de Aguiar, mas posteriormente extinta; um posto farmacêutico que terá encerrado nos anos 70 e aqueles que terão um dos primeiros postos de correios da Quinta Grande. A este propósito, sabe-se que, de acordo com o correspondente local do Jornal da Madeira, na sua crónica de 5 de Setembro de 1953, o posto de correios, então existente, havia sido transferido desde a casa de Manuel Correia, ao sítio da Igreja para a Casa da Lavoura, também no mesmo sítio passando a ficar seu responsável José Pereira Júnior, Juiz da paz. A 13 de Fevereiro de 1957, é presente um ofício de José Pereira Júnior, informando de que havia sido criado naquela freguesia um posto de telefónico e telegráfico, agradecendo, por esse facto a intervenção da Câmara Municipal de Câmara de Lobos.

Neste mesmo prédio, propriedade de José Pereira Júnior e situado junto à actual praceta 24 de Julho de 1848, que albergava o posto de correios, casa da lavoura e mercearia, seria também instalado no ano de 1964, um moinho .

Relativamente à igreja paroquial haverá a referir que ela teve origem na antiga ermida de Nossa Senhora dos Remédios, construída antes de 1592 e, posteriormente, sujeita a várias reconstruções, admitindo-se que uma delas possa ter ocorrido em 1601, isto a atestar pela existência de uma pedra com tal data; outra em 1756 e que levou à sua bênção em 21 de Dezembro desse ano ; uma em 1901, já na altura em que era sede paroquial e onde é alvo de ampliação e outra em 1950.

Possui este arruamento junto à igreja um fontenário, provavelmente construído na sequência de uma deliberação da Junta Geral, datada de 5 de Julho de 1923.

Este arruamento tem ligações com o caminho do Areeiro, com o caminho do Dr. João de Almada, com a vereda do Bispo, com a travessa do Bispo e com a vereda da Igreja.

D. Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade
Era natural da Quinta Grande, onde nasceu a 14 de Março de 1767 no lugar das Amoreiras, numa casa que em 1932 ainda se encontrava de pé , tendo sido baptizado 7 dias depois, a 21 de Março, na igreja paroquial do Campanário, freguesia a que na altura pertencia a Quinta Grande, e sido crismado em 1775. Era filho de Nicolau Gonçalves de Andrade, natural do Campanário e de Maria de Andrade, natural da Ribeira Brava. Era neto paterno de Francisco Gonçalves e de Maria das Rosas, ambos naturais do Campanário. Era neto materno de Manuel de Abreu Macedo, natural da freguesia da Tabúa e de Maria de Andrade, natural da freguesia da Ribeira Brava.

A influência de alguns familiares sacerdotes, nomeadamente de um seu irmão, o padre Francisco Joaquim Gonçalves, poderão ter condicionado a opção eclesiástica que escolheu para a sua vida. Ingressado no seminário do Funchal, encontramo-lo, em 1794, a frequentar o 5º ano da Universidade de Coimbra, altura em que, pretendendo ir para o Brasil a convite de D. Mateus de Abreu, natural do Campanário e, por essa altura, eleito Bispo de São Paulo, solicita autorização para a sua ordenação sacerdotal no bispado de Coimbra.

Com efeito, em finais de 1794, Manuel Joaquim Gonçalves, envia uma petição ao Bispo do Funchal solicitando autorização para ser ordenado fora do Bispado do Funchal. De acordo com um dos registos incertos no seu processo biográfico ,  diz Manuel Joaquim Gonçalves natural da freguesia do Campanário deste Bispado do Funchal e residente no Bispado de Coimbra que tendo frequentado os estudos naquela Universidade há cinco anos, e estando no último dessa formatura, acontece que sendo eleito Bispo de São Paulo o Rev. Mateus de Abreu, em razão de seu patrício e conhecimento que tem do procedimento do suplicante e dos seus estudos, o quer levar em sua companhia e deseja que primeiro seja Ordenado para o ocupar no Ministério, que pretende. Razão porque implora o suplicante a V. Exa. R.ma como seu verdadeiro Prelado lhe faça a graça mandar passar suas Reverendas na forma do Estilo para por elas poder ser Ordenado, seguir o fim de seu destino.

Por alvará de 17 de Novembro de 1794, o Bispo do Funchal concede licença para proceder ao provimento de Ordens Menores e Sacras em Coimbra e, em 2 de Janeiro de 1795, são passadas reverendas, isto é, as demissórias, para as Ordens Menores.

Depois da sua ordenação, que terá ocorrido no início de 1795, em Coimbra, Manuel Joaquim Gonçalves, terá ido para o Brasil, onde, depois de ter sido cónego e durante mais de vinte anos, vigário-geral da Sé de São Paulo, vem a ser bispo da diocese desta cidade.  A sua eleição como bispo terá acontecido a 12 de Outubro de 1826, tendo merecido a confirmação pelo papa Leão XII no mês de Março do ano seguinte. Foi solenemente sagrado a 18 de Outubro de 1827 e assumiu a direcção do bispado de São Paulo a 23 de Dezembro do mesmo ano , . Sucedeu na cadeira episcopal ao também madeirense, natural do Campanário, D. Mateus de Abreu Pereira e que fora quem, por volta de 1794, o havia convidado para ir para o Brasil.

Para além das suas funções eclesiásticas, teve algumas importantes incursões na política. Foi vice-presidente da província de São Paulo e na sequência dessas funções, viria a assumir a sua presidência por quatro vezes, entre 1829 e 1831. Entre 1831 e 1841 foi, também, por três vezes deputado , .

Faleceu, em São Paulo, no Brasil, a 26 de Maio de 1847, repousando os seus restos mortais na cripta da Sé do Estado de São Paulo. De acordo com um texto publicado por Nelson Veríssimo na Revista do Diário de Notícias  o seu túmulo, em mármore é encimado pelas armas de fé que adoptara (escudo partido de Câmara e Andrade) e ostenta ainda um medalhão em bronze e uma inscrição em Latim do seguinte teor: Dom Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade. Ordenado sacerdote e deixada a Lusitânia amada lançaste mãos ao trabalho. Recebido que foste com amor na cidade do Rio de Janeiro, ascendeste à hierarquia brasileira. Sob os bons auspícios recebeste a sagração episcopal para guiares o povo de São Paulo. Assinalada merecidamente a tua acção pastoral e patriótica, repousas neste cemitério. Faleceu a 26 de Maio de 1847.
Por deliberação de 9 de Julho de 1998, a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, atribui, sob proposta da Junta de Freguesia da Quinta Grande, o seu nome a um arruamento desta freguesia, prestando-se assim homenagem a um dos seus mais ilustres filhos.
 
 

 

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Manuel Pedro Freitas

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