CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

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Estrada do Cabo Girão

 

Denominação dada, por deliberação camarária de 17 de Outubro de 2002 (Em 20 de Junho de 2002 é deliberado atribuir esta denominação a um arruamento na Quinta Grande que supomos corresponder ao mesmo),  à estrada situada entre a Estrada João Gonçalves Zarco no lugar da Cruz da Caldeira e o Largo do Cabo Girão. A opção por esta denominação teve por base a tradição popular, ou seja a denominação porque este arruamento era popularmente conhecido.

A construção deste arruamento está intimamente ligado ao interesse turístico do Cabo Girão e, naturalmente, construção da chamada estrada monumental, hoje denominada, no seu trajecto através do concelho de Câmara de Lobos, por Estrada de João Gonçalves Zarco

Em 1926, a propósito do interesse turístico do Cabo Girão, um órgão de informação regional [1] referia que era  enorme o número de estrangeiros que costumam ali observar aquele panorama deslumbrantíssimo. É um ponto verdadeiramente de turismo. Para lamentar é que seja de difícil acesso, os pontos mais elevados da rocha. Acontece porém que a vereda que ali havia tem-se danificado. Aliás, já em 1913 [2], a construção de uma estrada de turismo no Cabo Girão era já uma antiga pretensão camaralobense e, de certa forma, mostrava que os responsáveis políticos de então, não estavam desatentos ao problema. Em Outubro de 1925, a imprensa informava mesmo que numa das suas últimas sessões a Junta Geral do Distrito havia deliberado mandar estudar a construção de um ramal da estrada nacional 23 ao Cabo Girão [3]. Na sua sessão de 10 de Abril de 1934, a Junta Geral delibera efectuar um estudo sobre a possibilidade de construir na extremidade do Cabo Girão um pequeno miradouro em cimento armado, devendo não só ser orçamentada a obra, como os melhoramentos necessários na vereda de acesso de forma a torna-la mais cómoda para peões [4].

Contudo, apesar dos desejos e pretensões da Junta Geral, tudo haveria de continuar na mesma e só a 14 de Setembro de 1937, é que foi adjudicada por José Miguel Gomes a construção do acesso a este promontório, tal como inicialmente previsto, a partir da então estrada nacional 23, hoje estrada regional 214 e no seu trajecto dentro do concelho de Câmara de Lobos também denominada por estrada João Gonçalves Zarco.

As obras ter-se-ão iniciado pouco tempo depois, uma vez que, logo no início do mês de Dezembro de 1937, as obras de abertura da estrada iam já adiantadas [5]. Em Agosto de 1938,  os trabalhos de calcetamento da referida estrada já se encontravam quase concluídos [6], o que vem a acontecer muito provavelmente no mês de Outubro [7]. Reclamado havia já vários anos, este melhoramento acabaria assim por ser concretizado pela Delegação de Turismo da Madeira, que em finais de Outubro de 1938 procede ao seu embelezamento com arborização apropriada.

Esta nova estrada de turismo, projectada pelo Eng. Severino Antunes, tinha uma extensão de 850 metros e o empedramento obedecia ao então moderno sistema de pedras regulares.

Em toda a sua extensão media 6 metros de largura com excepção de um largo, a cerca de 50 metros do miradouro, que teria 14 metros e se destinaria a estacionamento e para que os automóveis pudessem voltar. Nesta parte seriam colocados uns pilares para impedir a passagem de carros.


[1]      Diário da Madeira de 23 de Outubro de 1926.

[2]      Diário da Madeira de 30 de Abril de 1913.

[3]      O Jornal de 1 de Outubro de 1925.

[4]      O Jornal de 12 de Abril de 1934.

[5]      Diário de Noticias de 4 de Dezembro de 1937.

[6]      Diário de Notícias do dia 23 de Agosto de 1938.

[7]      Diário da Madeira, 2 de Outubro de 1938.

 

 

 

Câmara de Lobos

Dicionário Corográfico
Edição electrónica

Manuel Pedro Freitas

Câmara de Lobos, sua gente, história e cultura