CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

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Estrada Professora Alice do Carmo Gonçalves Azevedo Pereira


Caminho de acesso ao centro da freguesia da Quinta Grande, estendendo-se entre a estrada João Gonçalves Zarco e a sede da Junta de Freguesia local, onde se subdivide nas ruas Padre António Rodrigues Dinis Henriques e Padre António Silvino Gonçalves de Andrade.
No seu trajecto, esta estrada também dá acesso à praceta 24 de Julho de 1848 e à estrada Bispo Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade, que passa junto à igreja e termina na estrada João Gonçalves Zarco, possuindo um troço com acessibilidade automóvel e outro unicamente pedestre.
 

Os primeiros desejos da população da freguesia da Quinta Grande em ver o automóvel chegar até às proximidades da igreja paroquial, certamente que remontarão, sensivelmente, à altura em que esta freguesia passou a ficar beneficiada com o caminho novo, depois chamado de estrada nacional 101, o que terá acontecido por volta de 1916.
Com efeito, apesar desta estrada passar a pouca distância do centro da freguesia, simbolizado pela igreja, é provável que desde logo se fizesse sentir, entre a população, o desejo de ver o automóvel chegar até ao sítio que, teoricamente, seria o mais importante da freguesia, ou seja, ao sítio da igreja.
Esta pretensão é, aliás desafiada em 1947, quando de acordo com O Jornal de 3 de Dezembro desse ano, dias antes havia descido ao adro da Igreja uma abelhinha com grande admiração de toda a gente, reunindo-se à volta dela mais de 300 pessoas entre elas muitas crianças, pois o caminho não oferecia condições de trânsito a qualquer veículo.
Ainda que a notícia não refira o acesso utilizado, o autor da aventura só o poderá ter feito através do caminho pedestre, correspondente a um troço da velha estrada real 23, tendo nela entrado no sítio da Cruz da Caldeira, ou no lugar conhecido como Porta da Quinta, onde a hoje denominada estrada Bispo Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade, intercepta a estrada João Gonçalves Zarco.

 

Os projectos iniciais
Ainda que se desconheça o traçado a ser utilizado, na década de 50 é com alguma insistência que a imprensa se refere à necessidade e às pretensões, tanto da Câmara, como da população em verem o centro da freguesia da Quinta Grande, dotada de condições para o acesso automóvel.
Na sua edição de 8 de Setembro de 1951, o então correspondente do Jornal da Madeira nesta freguesia referia que o principal melhoramento porque ansiava a população da Quinta Grande era o alargamento do caminho e veredas que colocassem a população em comunicação com a estrada nacional 101.
Segundo o Jornal da Madeira de 6 de Setembro de 1953, a Câmara Municipal de Câmara de Lobos projectava, por essa altura, a construção de um caminho entre a estrada nacional e a igreja paroquial, o que vinha ao encontro da população.
Em 1957, o Eco do Funchal, na sua edição de 8 de Abril, refere que a Câmara Municipal de Câmara de Lobos havia deliberado proceder ao alargamento do ramal do caminho municipal para o sítio da Igreja, na freguesia da Quinta Grande, para a passagem de veículos e ainda melhorar a rampa de acesso à igreja colocando degraus e corrimões.
De acordo com a reunião de 10 de Setembro de 1958, do plano de actividades para o ano seguinte, estava previsto o alargamento da estrada junto à igreja até à estrada nacional 101.

 

O actual acesso rodoviário à igreja
Contudo, o tempo foi passando e, em 1960, depois de uma visita ao local, o presidente da Câmara, na sessão camarária de 27 de Abril desse ano, informou os restantes vereadores do mau estado em que se encontrava o caminho municipal pedestre, que liga a estrada nacional 101 à igreja daquela freguesia, adiantando que era quase inacreditável que a igreja paroquial de uma freguesia, que já no recenseamento geral de 1950 contava com 355 fogos e uma população de 1834 habitantes, não fosse servida por uma estrada que permitisse a circulação rodoviária. Refere ainda o presidente da Câmara, que esta população ansiava desde há muito, por  ver a parte mais populosa da freguesia, que é o sítio da igreja, servida por uma estrada por onde pudesse, em caso de doença, chegar-lhe um médico e com ele a esperança de uma cura rápida ou mesmo uma vida salva.

 

A encomenda do projecto
Em face do exposto, deliberou a Câmara encarregar o Eng. Aires Dionísio Marques de Oliveira Pestana de elaborar o projecto de uma estrada de acesso à igreja da freguesia da Quinta Grande, recomendando a máxima urgência neste trabalho.
Na sua sessão de 24 de Agosto de 1960, a construção de uma estrada municipal de ligação entre a estrada nacional 101 e a igreja na freguesia da Quinta Grande é incluída no plano de actividades para o ano seguinte.
Na sua sessão camarária de 14 de Setembro de 1960, é presente o respectivo projecto, tendo a Câmara deliberado dar-lhe a sua aprovação e solicitar à Junta Geral uma comparticipação para realizar a obra, orçada na altura em 415.500$00.

 

A espera de comparticipação
Na sessão camarária de 23 de Agosto de 1961 a construção da estrada volta a ser incluída no plano de actividades para o ano seguinte, situação que se repete em 1963, quando na sessão camarária de 28 de Agosto, a sua construção, volta a constar do plano de actividades para 1964. A este propósito, o presidente da Câmara dizia que a freguesia da Quinta Grande era a única do concelho em que a sua sede não era servida por estrada rodoviária. Por esse facto, a Câmara procurava dar solução a esse problema, incluindo, todos os anos, a sua construção no plano das obras a realizar, na esperança de que, em qualquer altura, desde que comparticipada, esta pudesse ser executada.

 

A adjudicação da terraplanagem
Em 1965, finalmente a obra surge comparticipada, pelo que a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, na sua sessão de 13 de Outubro, delibera abrir o concurso relativo à primeira fase da sua construção e correspondente às obras de terraplanagem e de arte, entre os perfis zero e 41, numa extensão de 639 metros.
Na sua sessão de 10 de Novembro de 1965 a obra é adjudicada, pelo valor de 260 mil escudos, a Cipriano da Cruz, único concorrente que se apresentou ao concurso, tendo os respectivos  trabalhos se iniciado, muito provavelmente, em finais de 1965, princípios de 1966, uma vez que na sessão de 10 de Dezembro de 1965 é referida a necessidade de efectuar algumas expropriações a fim de que o empreiteiro pudesse iniciar as obras e, na sessão camarária de 21 de Janeiro de 1966 surge para pagamento a 1ª liquidação da obra.
A 12 de Outubro de 1966, é presente um ofício do empreiteiro informando que os trabalhos efectuados excediam 1/6 do valor do projecto e, por esse facto pedia uma rectificação dos preços.
De acordo com o Jornal da Madeira de 26 de Agosto de 1968, no dia anterior havia sido publicada no Diário do Governo uma comparticipação de 126.800$00 destinada a cobrir trabalhos considerados a mais nesta obra e orçados em 169.100$00, e que segundo a mesma notícia, deveriam ficar concluídos até 31 de Dezembro de 1968.

 

O projecto da fase de pavimentação
Entretanto, na sua sessão de 27 de Dezembro de 1967, já a Câmara havia deliberado solicitar aos serviços de Assistência Técnica aos Municípios Rurais, a elaboração do projecto da pavimentação betuminosa deste arruamento, tarefa que acabaria por ser, no entanto, em sessão camarária de 9 de Outubro de 1968 atribuída ao Eng. Aires Pestana.
Na sua sessão de 12 de Maio de 1971, a Câmara aprova o projecto e a sua memória descritiva e solicita a comparticipação necessária ao Ministério das Obras Públicas.
A 22 de Setembro de 1971, a Câmara aprova o programa de concurso e caderno de encargos e abre concurso para a realização da obra de pavimentação deste acesso numa extensão de 800 metros.

 

Pavimentação da estrada
Contudo, tanto no dia 27 de Outubro de 1971, data do primeiro concurso, como no dia 9 de Dezembro de 1971, data do segundo concurso, não apareceria qualquer interessado na adjudicação da obra em causa. Com efeito, só no terceiro concurso, realizado a 19 de Janeiro de 1972, é que surgiria uma única proposta assinada pelo empreiteiro Cipriano da Cruz, a quem a Câmara delibera adjudicar a obra, pelo valor de 593.649$00, ainda que dependente de uma apreciação superior.
Na sessão de 12 de Abril de 1972, o presidente da Câmara acabaria por receber autorização dos restantes membros do seu elenco para, em nome da Câmara, outorgar a escritura de adjudicação da obra. Os trabalhos iniciar-se-iam logo de seguida e a sua conclusão verificar-se-ia em finais de 1972.
A propósito deste arruamento construído com o objectivo de fazer chegar o automóvel até junto da igreja, convirá referir que se a obra de pavimentação se estendeu desde a então estrada nacional 101 até à igreja, já a obra de terraplanagem ficaria a cerca de 200 metros desta, uma vez que no projecto se integrou um segmento do caminho pedestre, primitivamente, denominado de estrada real 23 que passava junto da igreja e que, por várias vezes, terá sido sujeito a obras de alargamento e a que hoje corresponde parte da rua Bispo Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade.

 

Pontos relevantes
Neste arruamento, mais propriamente nas proximidades da junção desta estrada com as estradas padres António Rodrigues Dinis Henriques e António Silvino Gonçalves de Andrade, encontra-se sitiado o edifício da sede tanto da Junta de Freguesia como da Casa do Povo da Quinta Grande.
Adjudicado pela Câmara Municipal de Câmara de Lobos, na sua sessão de 28 de Julho de 1994, pelo valor de 14.735.590$00, este edifício, que também alberga instalações onde funciona um estabelecimento de ensino pré-primário, viria a ser inaugurado a 28 de Setembro de 1995.

 

A homenagem
Por deliberação de 9 de Julho de 1998, a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, sob proposta da Junta de Freguesia da Quinta Grande, atribui o nome da professora Alice do Carmo Gonçalves de Azevedo Pereira à parte deste arruamento, compreendida entre a estrada João Gonçalves Zarco e as instalações da Junta de Freguesia e Casa do Povo, onde estabelece ligação com as estradas Padre António Silvino de Andrade e Padre António Rodrigues Dinis Henriques.
Ainda que, relativamente aos motivos que terão justificado esta homenagem, tal como se verifica com outras deliberações similares, nada conste na respectiva acta, sabe-se que a passagem da professora Alice do Carmo Gonçalves de Azevedo Pereira, pela Quinta Grande, onde foi uma das primeiras professoras do ensino primário oficial, que para ali foi destacada, suscitou grande admiração e respeito por parte da população, relativamente ao trabalho desenvolvido em prol do ensino, e que o tempo ainda não apagou.


 

 

Câmara de Lobos

Dicionário Corográfico
Edição electrónica

Manuel Pedro Freitas

Câmara de Lobos, sua gente, história e cultura