CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

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Jardim-de-infância do Ilhéu

 

Jardim-de-infância existente no Ilhéu de Câmara de Lobos, construído, no decurso de 1967, na sequência de um programa de promoção social comunitária que nesse ano teve início em Câmara de Lobos.

Em ofício datado de 14 de Outubro de 1966, a Comissão de Assistência do Funchal, envia o projecto do jardim-de-infância a construir e solicita à Câmara Municipal de Câmara de Lobos a autorização para a sua construção. Na altura, estando a Comissão Distrital de Assistência do Funchal, a par da intenção da deslocação das populações do Ilhéu e do destino deste para fins turísticos, na implantação e construção do jardim-de-infância, ficou assente a utilização de materiais parcialmente recuperáveis e transferíveis para outro local, quando se efectuasse a deslocação da população do Ilhéu.

Após a recepção deste ofício, a Câmara solicita, em 29 de Outubro de 1966, um parecer ao Director técnico de Urbanização do Funchal, que a 7 de Novembro, sugere que a Câmara que remeta esse parecer para o Arquitecto Urbanista e Comissariado de Turismo, uma vez que havia este departamento tinha um estudo elaborado para o aproveitamento turístico do Ilhéu de Câmara de Lobos.

Em consequência desta sugestão, a Câmara pede em  11 de Novembro o respectivo parecer ao seu Eng. Urbanístico, Nereus Fernandes, quem em carta datada de 25 de Novembro de 1966 e presente na reunião camarária de 14 de Dezembro refere: Em 3 de Fevereiro de 1960, quando efectuamos uma visita técnica a Câmara de Lobos, conscientes da gravidade da situação, chamávamos a atenção da DGSU, através de um relatório então efectuado, para a necessidade urgente de promover medidas de Saneamento Social para aquela vila.

Vemos pois com bons olhos a promoção de um programa que, se não resolver totalmente, pelo menos parcialmente procurará debelar uma ferida que tem estado a minar muitos aglomerados da Madeira [...].

Permitimo-nos contudo fazer dois pequenos reparos:

1º. Nota-se no objectivo genérico da promoção a falta de um programa baseado na acção evangelizadora do espírito cristão português. Julga-se que simultaneamente com o alimento do corpo se deveria tratar também da higienização do espírito. A presença de um membro do clero na equipa inter-serviços irá certamente preencher esta lacuna.

2º. Julga-se que na equipa de inter-serviços - contida na alínea a) das linhas gerais do programa - deveria figurar um arquictecto-urbanista, que funcionaria como elemento catalítico e de ligação das várias actividades intervenientes, salvo se tal técnico está contido no termo "obras públicas".

Este conceito é tão válido que em diversos países que visitamos, se torna imprescindível na composição de equipas.

Quanto ao aspecto urbanístico, embora se considere que o edifício ocupe uma grande área em relação ao Ilhéu, não se julga de levantar qualquer impedimento dada a finalidade social da obra, e até porque, mais cedo ou mais tarde deverá pensar-se na demolição das construções do Ilhéu e num melhor realojamento.

Perante este parecer, a Câmara, na sua reunião de 14 de Dezembro de 1966 autoriza a título precário a construção do jardim-de-infância, em conformidade com o projecto, memória descritiva e com materiais parcialmente recuperáveis e transportáveis, oferecendo-se a Câmara para dentro das suas possibilidades financeiras prestar a melhor colaboração na higienização do Ilhéu.

O Jardim-de-infância do Ilhéu tinha assim luz verde para ser construído, ficando implantado num terreno de que era proprietária a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, que se admite ter ficado concluído no decurso de 1967.

Câmara de Lobos

Dicionário Corográfico
Edição electrónica

Manuel Pedro Freitas

Câmara de Lobos, sua gente, história e cultura