CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

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RÁDIO GIRÃO ARQUIVO


Programa especial sobre as festas das vindimas de 1989

 

 

CONTRA CORRENTE

 

COMEMORAÇÕES DO 154º ANIVERSÁRIO DA INSTALAÇÃO DO CONCELHO

Especial "Dia do Concelho" transmitido pela Rádio Girão

Entrevista com Gabriel Gregório Ornelas,  presidente da CMCL

 

COMEMORAÇÕES DO 157º ANIVERSÁRIO DA INSTALAÇÃO DO CONCELHO

Discurso do presidente da Câmara, Gabriel Gregório Ornelas e do Dr. Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional (transmissão Rádio Girão)

 

 

Campeonato Nacional da III Divisão 1989/90

Entrevista com o Prof. João Santos, treinador do CSDCL, na ocasião da apresentação do plantel a 10 de Setembro de 1989

 

Campeonato Nacional da III Divisão 1989/90

Entrevista com o Dr. Jorge Faria, presidente da Direcção do CSDCL na ocasião da apresentação do plantel a 10 de Setembro de 1989

 

Coro de Câmara de Câmara de Lobos, 1991. Entrevista a João Atanásio

 

Grupo Coral do Estreito de Câmara de Lobos, 1991. Entrevista a João Isidoro Gonçalves e João Victor Costa

 

 Dr. António Vitorino de Castro Jorge. Entrevista a propósito das festas da cereja e sua prisão em Caxias

 

Inauguração do arrelvamento do Campo Municipal de Câmara de Lobo no dia 26 de Janeiro de 1997

 
 
 
 
 

 

 

Rádio Girão

 

 

Rádio Local com emissão em frequência modelada 98.8, licenciada para o concelho de Câmara de Lobos e que aí teve a sua sede, mais propriamente na freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, entre 2 de Setembro de 1989, data da sua emissão inaugural e Setembro de 1997,data da sua aquisição pela empresa Diário de Notícias e TSF. Ao ser adquirida por esta empresa, não só a sua sede e estúdios seriam transferidos para o Funchal, como a sua denominação viria a ser alterada o mesmo sucedendo, posteriormente com a sua frequência, dadas as exigências decorrentes da mudança do equipamento emissor, para uma localização por forma a ficar dotada de uma maior cobertura, um processo que havia sido iniciado já antes das negociações que levariam à transmissão do alvará.

Tida como propriedade do Grupo Desportivo do Estreito, como aliás consta do próprio alvará de rádio difusão, tal na prática não correspondia à verdade. Com efeito, na altura da candidatura ao alvará, a iniciativa da candidatura não pertenceu ao Grupo Desportivo do Estreito mas a sim a Manuel Pedro da Silva Freitas e João da Silva Azevedo de Freitas, sendo utilizado o nome Grupo Desportivo do Estreito, para facilitar a candidatura a troco de uma oferta de 40% numa sociedade a criar posteriormente, entre o clube e um grupo de pessoas que teriam por responsabilidade de suportar os custos da entrada em funcionamento da rádio e no qual se incluíam, para além Manuel Pedro da Silva Freitas e João da Silva Azevedo de Freitas, João Gualberto Ferreira, na altura presidente da Direcção do Grupo Desportivo do Estreito.

Entretanto, no decurso de todo este processo de candidatura verificam-se alterações da direcção do Grupo Desportivo do Estreito, facto que obriga tacitamente, uma vez que não existiam documentos escritos sobre o contrato celebrado com o Grupo Desportivo do Estreito à aceitação de mais seis sócios, três deles pertencentes à nova Direcção do G.D.E., ficando a quota dos 60% na futura sociedade dividida metade para os três sócios tidos como fundadores e metade distribuída equitativamente pelos novos sócios.

Com base neste contrato foi a rádio instalada, tendo a sua primeira emissão ido para o ar pelas 17 horas do dia 2 de Setembro de 1989, desde os seus estúdios instalados numa cave do Centro Comercial do Estreito e assim funcionou durante oito anos. Contudo, por dificuldades várias, a sociedade prevista desde o início, para se constituir, nunca se pode concretizar, facto que terá influenciado negativamente na consolidação e na evolução do projecto inicial.

Ao longo dos 8 anos de existência, foi seu director Manuel Pedro Freitas e nunca a rádio teve qualquer funcionário, sendo as suas emissões asseguradas por colaboradores, na sua maioria, naturais do Estreito de Câmara de Lobos.

Refira-se a este propósito, que a abertura da rádio foi antecedida por um curto período de formação feita por dois, na altura funcionários da RDP, o David Caldeira e o Carlos Melim, sendo o grupo de formandos constituídos por jovens, na sua maior parte estudantes, o que fez com que não um dos primeiros slogans, posteriormente assumidos por uma outra rádio fosse o de “Rádio Girão -Rádio Jovem” ou “Rádio Girão – o prazer de fazer rádio”, como, os nossos inimigos, quando queriam denegrir a nossa imagem a chamassem de “Infantário”.

Conotada desde o início com o partido socialista, dado o facto de dois dos seus principais impulsionadores serem na altura seus militantes, a rádio Girão, apesar de ter sempre mantido uma linha editorial independente de qualquer estrutura política, foi sempre vista pelo poder com alguma reserva. Este facto faria com que, relativamente a outras rádios similares, fosse prejudicada em termos de subsídios públicos, tendo esta situação constituído mesmo um dos motivos que esteve na base da sua venda.

Com efeito, em determinada altura, havendo a possibilidade de ser celebrada com o Governo Regional um protocolo de que resultaria significativas vantagens financeiras para a rádio e tendo, a rádio desde logo mostrado vontade de o assinar, as dificuldades burocráticas viriam contudo a protelar indefinidamente essa assinatura, facto que viria inviabilizar a concretização de alguns projectos considerados imprescindíveis para que depois de alguns anos de amadorismo se enveredasse para um projecto profissional e no qual estava incluído a modernização de equipamentos, mudança de localização da antena por forma a lhe dar maior cobertura, etc.

Ainda que houvesse uma grande aposta na conquista do auditório camaralobense, a verdade é que, a boa cobertura do Funchal, não só sempre fizesse com que este alvo sempre constituísse uma aposta da rádio, como se justificasse um investimento nesse sentido.

Apesar das dificuldades que caracterizavam o seu dia a dia, de nunca ter dado lucro, a verdade é que, com a ajuda e colaboração de todos, directores e colaboradores, também nunca foi deficitária, bastando por isso uma pequena injecção de capital, para que fosse possível, mudar radicalmente a sua situação e transformá-la num projecto mais ambicioso, num projecto profissional.

Apesar de tudo, apesar das suas dificuldades financeiras e de nos seus quadros contar só com colaboradores não profissionais, a rádio Girão era o paradigma das rádios locais e quer pelo seu tipo de música, quer pela forma de estar, ao longo da sua curta existência, conseguiu-se individualizar das restantes e conquistou muitas simpatias quer no Funchal, quer for a dele, chegando a ser a rádio local mais ouvida e a terceira a nível regional, depois da RDP e do PEF.

Como forma de ultrapassar algumas das suas dificuldades financeiras, chegou a rádio Girão a vender horas de emissão a entidades privadas, uma das quais, foi a Igreja Universal, situação que inicialmente levantaria alguns problemas dentro da própria rádio, mas que rapidamente seriam ultrapassadas.

Naturalmente que este contrato, por razões obvias, não sendo do agrado de nenhum dos dirigentes da rádio, foi uma situação de recurso para fazer frente a compromissos financeiros e terminaria no momento em que houvesse condições para tal, o que se previa que acontecesse a quando da assinatura do acordo do o Governo Regional.

Entretanto, perante os atrasos na assinatura desse protocolo, umas vezes por culpa da rádio, outras não e a necessidade de efectuar alguns investimentos para mudar a imagem da rádio e iniciar outro ciclo de vida surgiria um certo desânimo no seio dos seus responsáveis.

Este facto criaria condições para que a proposta de aquisição da rádio pelo Diário de Notícias encontrasse receptividade e o negócio consumar-se-ia, apesar de alguns dos passos inerentes à revitalização da rádio já terem sido dados, nomeadamente a autorização da mudança de localização da antena e de frequência, o que nos permitiria o relançamento da imagem da rádio, como se de uma rádio nova se tratasse e em vias de aprovação estava a candidatura feita para apoios à reconversão tecnológica.

 

 

Câmara de Lobos

Dicionário Corográfico
Edição electrónica

Manuel Pedro Freitas

Câmara de Lobos, sua gente, história e cultura

 


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