CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

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Reis, Dr. António Pereira

 

O Dr. António Pereira Reis era natural do Funchal, onde nasceu, na casa de seus pais, na freguesia de Santa Maria Maior, no dia 6 de Janeiro de 1867 [1], tendo falecido em Lisboa a 2 de Dezembro de 1952, encontrando-se sepultado em jazigo próprio no cemitério dos Prazeres. Ainda que, como afirma, tivesse sido baptizado com o nome de António de Ornelas Pereira Reis, em todos os documentos oficiais o seu nome surge sempre como António Pereira Reis.

Licenciou-se em Direito, pela faculdade de Direito de Coimbra, em Junho de 1892, tendo feito os estudos sem protecção alguma que não a do seu trabalho - leccionando e escrevendo - uma vez que seus pais eram de fracos recursos.

A partir de 1893 passa a exercer advocacia em Lisboa. Ao longo da sua vida exerceu alguns cargos públicos como o de Ministro do Interior, em 1916. Foi também consultor Jurídico e advogado de importantes empresas e sociedades.

De acordo com um averbamento ao seu registo de baptismo verificado aos 20 de Janeiro de 1867, casou-se na igreja dos Anjos a 18 de Dezembro de 1941 com Maria do Socorro Santos Pereira, natural da freguesia da Sé Nova, em Coimbra e falecida em Lisboa, a 25 de Outubro de 1944 e de quem não houve descendência.

 

O testamento do Dr. António Pereira Reis

Não possuindo descendentes, nem ascendentes, aos 5 de Março de 1948 o Dr. António Pereira Reis elabora o seu testamento [2], onde para além de distribuir muitos dos seus bens patrimoniais por instituições religiosas e pelos seus amigos mais queridos, institui três Fundações de beneficência. Confia 300.000$00 à Misericórdia de Coimbra para a criação, naquela cidade, da Fundação D. Maria do Socorro Pereira Reis, em memória de sua mulher que teria por fim ajudar nos dotes para casamentos de raparigas pobres e, o remanescente dos seus bens doa-o, em partes iguais, às freguesias da Ponta do Sol e do Estreito de Câmara de Lobos, terras donde eram naturais respectivamente seu pai e sua mãe e onde deveriam ser criadas duas instituições de perpétua beneficência, socorro, abrigo, lactário ou outra. A de Ponta do Sol deveria ostentar o nome de Fundação João Pereira, seu pai e a do Estreito de Fundação D. Jacinta de Ornelas Pereira, sua mãe.

Em ambas as instituições, a escolha do meio e a forma da realização da intenção do testador e a escolha da sua gerência ou administração serão feitas em reunião de pessoas honestas, competentes, de boa fé, que se interessem pelo bem da freguesia, designadamente: O Pároco da freguesia, um representante da Câmara Municipal, um representante da Junta de Freguesia e dois ou quatro homens bons da freguesia. Estipulava ainda o testamento que esta Fundação perpétua, deverá ser, em todo o tempo gerida ou administrada gratuitamente, com escrúpulo e honestidade, com amor pelos pobres, sob as vistas do povo, porque ao povo pertence o testador e pertenceram seus pais.

Ainda segundo o testamento é condição fundamental das Fundações estabelecidas que todos os pobres têm direito aos benefícios delas, mesmo os que não tenham religião alguma. Jesus Cristo abriu, na Cruz os braços a toda a humanidade.

Como bens destinados a serem divididos equitativamente por estas duas fundações o testamento apontava:

1)  A propriedade de todos os seus bens, cujos usufrutos havia a título vitalício legado a várias pessoas, fazendo-se a respectiva consolidação de forma equitativa à medida e na proporção que tais usufrutos fossem terminando. De entre esses legados destaque para Acções da Companhia das Águas de Lisboa; da Ribatejana, da Companhia Industrial Portugal e Colónias; de Companhias Reunidas Gás e Electricidade e da Companhia de Tabacos de Portugal

2)  Papeis de crédito, Acções e Obrigações, que deveriam ser vendidas na Bolsa pelos melhores preços.

3)  Bens móveis de qualquer natureza, mobílias roupas, pratas, objectos de ouro ou de outros metais etc. que deveriam ser vendidos em leilão.

Ao iniciar a sua actividade, a Fundação D. Jacinta de Ornelas Pereira dispunha de um total de pouco mais do que 2 mil contos, verba que viria a ser reforçada ao longo dos anos não só em consequência de juros, como ainda de venda de acções e da passagem para a sua posse, conforme previsto no testamento, de acções ou rendimentos cujo usufruto o instituidor havia dado vitaliciamente a pessoas das suas relações de amizade e que entretanto foram falecendo.

Hoje com um património avaliado em largos milhares de contos, a Fundação ocupa um lugar de relevo na freguesia do Estreito e a sua actividade insere-se perfeitamente do espírito do seu instituidor, tendo em conta, naturalmente as transformações ocorridas desde 1948.


 


[1]     Livro de Baptismos da freguesia de Santa Maria Maior, 1867, Reg. 7.

[2]     Testamento do Dr. António Pereira Reis feito no Cartório Notarial de Manuel Paco Viana, Lisboa a 5 de Março de 1948.

 

 

 

Câmara de Lobos

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Manuel Pedro Freitas

Câmara de Lobos, sua gente, história e cultura