CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

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Artigo de Manuel Pedro Freitas sobre a história da Rua Capitão Armando Pinto Correia publicado no Jornal da Madeira de 14 de Dezembro de 1997

 

 

Rua Capitão Armando Pinto Correia
 

Primitivamente conhecido por caminho da Azinhaga passou por deliberação camarária de 25 de Junho de 1952, a denominar-se de Rua Capitão Armando Pinto Correia, sendo a 28 de Setembro de 1952, num acto de grande solenidade, colocadas as respectivas placas toponímicas.

Rua existente na freguesia do Estreito, mais precisamente no seu centro, por detrás da Igreja paroquial de Nossa Senhora da Graça, estendendo-se desde a rua da Igreja, ao nível da sua união com a rua Dr. António Vitorino de Castro Jorge, até à rua Fundação D. Jacinta de Ornelas.
Primitivamente conhecido por caminho da Azinhaga passou por deliberação camarária de 25 de Junho de 1952, a denominar-se de Rua Capitão Armando Pinto Correia, sendo a 28 de Setembro de 1952, num acto de grande solenidade, colocadas as respectivas placas toponímicas. Para além dos arruamentos que referenciam o seu início e fim, esta rua possui ligações com a travessa dos Canários que faz a conexão com a rua Dr. António Vitorino de Castro Jorge.

 

Os pontos relevantes da rua
Nesta rua encontram-se sitiados a estação dos Correios e Telecomunicações, cujas instalações foram inauguradas a 2 de Julho de 1988; o edifício da Junta de Freguesia e Casa do Povo do Estreito inaugurado no dia 14 de Maio de 1996; a sede da Fundação D. Jacinta de Ornelas; a farmácia Elsa, cujo alvará data de 4 de Dezembro de 1957 e o Centro Inter-gerações, isto naturalmente para além de vários estabelecimentos comerciais. Junto ao cruzamento com a rua da Igreja no prédio onde desde 28 de Abril de 1984 funciona o Banif, existiu uma mercearia denominada de Transvaal, que no dia 18 de Junho de 1929 serviu de sede para a instalação do primeiro telefone na freguesia do Estreito.
Estiveram também sitiados na rua Capitão Armando Pinto Correia, uma das escolas masculinas da freguesia, desactivada no início dos anos 80 e ainda, desde 10 de Setembro de 1984 até Março de 1995, altura em que foram transferidos para o edifício sede do Grupo Desportivo do Estreito, os serviços locais da Direcção Regional de Segurança Social. Foram, aliás nestas instalações deixadas devolutas mas pertença, por contrato de arrendamento, desta Direcção Regional, que no dia 10 de Outubro de 1996 se instalou o Centro Inter-gerações, um projecto da Escola Preparatória e Secundária do Estreito criado no ano anterior no âmbito das actividades de complemento curricular, com o objectivo de fomentar uma troca de saberes e experiências entre jovens e idosos.
Durante alguns anos, antes da sua transferência para a actual rua João Augusto de Ornelas, funcionou ainda neste arruamento num espaço cedido pela Fundação D. Jacinta de Ornelas, o Centro de Saúde, na altura denominado de Dispensário Materno-Infantil.

A sede da Junta e da Casa do Povo
Relativamente ao edifício da sede da Junta de Freguesia e Casa do Povo, concebido segundo um projecto do arquitecto Ricardo Ferreira e construído pelo Governo Regional haverá a destacar, que o terreno onde se encontra implantado resultou de uma permuta com outro situado próximo e cedido à Câmara Municipal pelos herdeiros de António Prócoro de Macedo, como exigência desta, afim de que o processo de loteamento de uma parte da sua propriedade anexa à rua do Capitão Armando Pinto Correia pudesse ser aprovado. Com efeito, segundo, a acta da sessão camarária de 6 de Abril de 1989, esta cedência efectuada à Câmara Municipal não era mais do que a área correspondente ao afastamento obrigatório que qualquer construção junto de vias municipais teria de fazer. Posteriormente a Câmara, na sua sessão de 25 de Janeiro de 1990, aceita uma proposta de permuta desta fracção de terreno com outra do mesmo loteamento, pertencente a José Adelino Gonçalves e onde acaba por ser construído o edifício da Junta e Casa do Povo.
Antes da actual localização, a Junta de Freguesia havia estado situada, desde a sua criação, após as eleições autárquicas de 1976, num prédio situado no cruzamento da rua Prof. José Joaquim da Costa com a rua da Achada em instalações antes ocupadas por um denominado Centro Cultural e Recreativo do Estreito, enquanto que a Casa do Povo criada a 26 de Fevereiro de 1970 havia passado por uma sede no sítio da Ribeira da Caixa, à margem da estrada Regional, inaugurada a 28 de Maio do mesmo ano, depois pela antiga residência do Barão de Ornelas e, a partir de Dezembro de 1990, altura em que é reactivada, por uma sala no mesmo prédio então ocupado pela Junta de Freguesia.
 

Fundação D. Jacinta de Ornelas Pereira
Relativamente à fundação D. Jacinta de Ornelas Pereira haverá a destacar que foi criada por testamento de 5 de Março de 1949, pelo Dr. António Pereira dos Reis, em memória de sua mãe, natural do Estreito de Câmara de Lobos. Nesta fundação funciona desde 1985 um Centro de Actividades de Tempos Livres e desde 25 de Setembro de 1990 um Jardim de Infância. A sua sede situada nesta rua foi adquirida em 29 de Abril de 1970 e era na altura da sua construção, ocorrida nos anos de 1926/1927, um dos mais sumptuosos prédios da freguesia, só encontrando paralelo, na casa da Quinta do Jardim da Serra, que neste aspecto, não tem igual e na casa da Quinta do Estreito.

A elevação  a vila passou por esta rua
Como curiosidade refira-se ainda que esta rua foi o berço onde nasceu a elevação da freguesia do Estreito à categoria de vila. Com efeito, no dia 4 de Agosto de 1993, por ocasião da inauguração das obras de lançamento de esgotos e sua repavimentação, Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional, no seu discurso alusivo ao acto, ao se referir ao Estreito chamou-o de vila, para posteriormente desafiar os deputados do seu partido a elaborarem e a apresentarem na Assembleia Regional a respectiva proposta de elevação a essa categoria, o que viria a acontecer.

De azinhaga a rua - pormenores de um conflito
No início do século, a actual rua Capitão Armando Pinto Correia era um estreito caminho, donde a sua primitiva denominação de azinhaga, cujo alargamento por forma a permitir o trânsito automóvel, começa a ser reivindicado em meados dos anos 20. Contudo, o seu alargamento, não aconteceu sem que surgissem vários problemas, nomeadamente com a igreja. Efectivamente, durante muitos anos, o pároco, com a alegação de que não teria interesse para a freguesia, mas sim para alguns particulares terá dificultado as obras, não permitindo o alargamento da estrada, atrás da igreja, porque isso reduziria as dimensões do adro nessa zona, facto que parece ter desencadeado algum desentendimento entre os católicos e levado mesmo à elaboração de um abaixo assinado por parte dos opositores às obras de alargamento. Firme na sua decisão e consciente da importância de tal melhoramento, a Câmara adjudica em Dezembro de 1945, a Manuel Marques, da freguesia do Estreito, os trabalhos de alargamento do caminho da azinhaga., que se iniciam no ano seguinte, a partir da outra extremidade, ou seja, onde não existiam problemas com as expropriações dos terrenos necessários. No entanto, na sessão camarária de 30 de Outubro de 1946 a Câmara vê-se confrontada com a necessidade de resolver o diferendo com a igreja, uma vez que as obras de alargamento do caminho estavam quase concluídas, faltando unicamente a zona em que este confrontava com o adro da igreja paroquial. Por esse facto a Câmara decide entrar em negociações com o então pároco, o Pe. José Porfírio Rodrigues acabando por resultar daí o estabelecimento um contrato entre a igreja e a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, que em 13 de Agosto de 1947 é proposto para rectificação no Conselho Municipal, onde supomos que terá sido aprovado. Mediante esse contrato, a igreja cederia o espaço necessário ao alargamento do caminho e, em contrapartida, passaria a ficar detentora, do chamado Passal, terreno ocupado pelo antigo cemitério e que lhe havia sido expropriado, para o efeito em 1871, permanecendo propriedade da Câmara após a sua desactivação, nos anos 20 e onde a 27 de Maio de 1937 havia chegado a implantar um jardim público. Por outro lado, no terreno agora cedido à Igreja, deveria ainda a Câmara Municipal a proceder à construção de umas arrecadações que substituíssem as destruídas em consequência do alargamento em causa.

 

 

 

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Manuel Pedro Freitas

Câmara de Lobos, sua gente, história e cultura