CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

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Artigo de Manuel Pedro Freitas sobre a história da RuaCónego Agostinho Figueira Faria publicado no Jornal da Madeira de 21 de Dezembro de 1997

 

 

Rua Cónego Agostinho Figueira Faria

 

Inaugurado a 29 de Agosto de 1920, este arruamento que vinha sendo reclamado havia mais de 4 anos, constituiu na altura um dos mais importantes melhoramentos, uma vez que colocava a freguesia do Estreito e em particular o seu centro, em comunicação directa com a estrada regional, na altura denominada de estrada regional 23, construída poucos anos antes, permitindo desta forma o acesso aos transportes motorizados.

 

Situa-se no Estreito de Câmara de Lobos, estendendo-se desde o lugar do Damasqueiro, onde comunica com a estrada João Gonçalves Zarco e com a rua Fundação D. Jacinta de Ornelas até ao Largo do Patim e constitui a principal entrada não só para o centro do Estreito, como para a nova freguesia do Jardim da Serra.
Inaugurado a 29 de Agosto de 1920, este arruamento que vinha sendo reclamado havia mais de 4 anos, constituiu na altura um dos mais importantes melhoramentos, uma vez que colocava a freguesia do Estreito e em particular o seu centro, em comunicação directa com a estrada regional, na altura denominada de estrada regional 23, construída poucos anos antes, permitindo desta forma o acesso aos transportes motorizados.
Por deliberação camarária de 18 de Maio de 1995 esta rua passa, a partir desta altura, a ostentar o nome do Cónego Agostinho Figueira Faria.
Como curiosidade refira-se no entanto que antes, em 1975, na sessão camarária de 26 de Fevereiro é presente um abaixo-assinado da iniciativa do Dr. António Augusto de Gouveia solicitando à Câmara que este arruamento fosse designado por rua do Passal, pretensão cuja decisão foi remetida para depois de um estudo toponímico a efectuar, que naturalmente nunca viria a ser feito.
 

A luta pela abertura da rua
Por volta de 1915, a nova estrada regional 23, posteriormente denominada de 101 chega à freguesia do Estreito de Câmara de Lobos e por isso impunha-se fazê-la comunicar com o centro social, económico e religioso da freguesia, ou seja impunha-se ligá-la ao largo do Patim. Nesse sentido alguns dos mais influentes dos seus habitantes iniciam os necessários contactos com as entidades político-administrativas, nomeadamente com a Junta Geral do Distrito e Governador Civil.
De entre esses habitantes e, ainda que sem pretender individualizar nomes, até porque não os sabemos ao certo, não podemos deixar passar sem qualquer referência o de Francisco Figueira Ferraz, importante proprietário e comerciante da freguesia. Com efeito, Francisco Figueira Ferraz foi um dos que em 1913, nas páginas dos jornais, mais defendeu a alteração do trajecto da estrada regional 23 por forma a que ela, contrariamente  àquilo que inicialmente estava previsto, passasse mais próximo do centro da freguesia, como viria a acontecer. Sendo assim é natural admitir que também tenha integrado o lote de pessoas que pugnaram pela abertura deste arruamento, até porque tinha interesses económicos que o justificavam. Aliás, no dia da sua inauguração, encontrando-se fora da Madeira, não deixa de marcar presença através de um telegrama de felicitações.
Francisco Figueira Ferraz, que também por um curto período chegou a ser presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos e Joaquim José da Silva Vieira, proprietário e comerciante local e que chegou a exercer funções de presidente da Junta Geral do Distrito, constituem na primeira metade deste século duas das referências mais importantes da freguesia, em termos defesa do seu desenvolvimento.

 

As dificuldades na sua abertura
A abertura deste ramal levado a cabo pela então Junta Geral do Distrito e que por ironia do destino hoje ostenta o nome de um clérigo, não terá sido fácil uma vez que em confronto estavam dois traçados, o que acabaria por ser aprovado, orçado em 2 contos, mas que passava em terrenos da igreja e que terá gerado por isso alguns conflitos e outro, mais dispendioso e orçado em 10 contos  que iniciando-se no Largo do Patim percorreria a vereda municipal, anexa ao actual cemitério, indo encontrar a estrada regional no sítio do Pico do Rato.
Dessas dificuldades dá conta o Diário de Notícias na sua edição de 22 de Dezembro de 1918 ao dizer que apesar do regozijo que lavrava na freguesia em consequência da abertura deste ramal, ele por várias vezes havia sido protelado por detestáveis conveniências políticas e repugnantes interesses particulares. Adianta ainda que não se tinha aberto este ramal porque, tendo de atravessar o passal do reverendo vigário desta freguesia, Sua. Exa.. nunca concordou com este plano, o mais económico e viável. Porém agora perante a opinião da freguesia inteira e boa vontade de Sua. Exa. o Sr. Governador Civil e da ilustre Junta Geral do Distrito, o Rev. Padre Reis resolveu condescender na passagem do ramal pelo seu passal completamente convencido de que não deve protelar por mais tempo contra a opinião e desejos de todos os seus paroquianos.
Resolvido o diferendo com a igreja foi a obra de construção desta rua colocada a concurso a 1 de Julho de 1920.
Passados cerca de 80 anos, os dois traçados em causa voltam hoje a ser tema de discussão: o escolhido porque agora se impõe a necessidade de alargamento e, por isso de novas negociações com a igreja e o preterido porque urge adaptá-lo ao trânsito automóvel.

 

Os pontos  relevantes desta rua
Nesta rua foi construída por volta de 1960/62 a residência paroquial, em substituição de uma antiga existente em frente à igreja. Um fontenário, construído nas proximidades do largo do Patim em substituição de outro existente em frente à antiga casa paroquial e destruído na década de 60 no decurso das obras de construção do salão paroquial e ampliação do adro é outro ponto de referência a destacar.
A farmácia Nini inaugurada a 4 de Abril de 1987 é também outra referência a ter em conta nesta rua.


 

Bibliografia:
FREITAS, M Pedro. Realidades de Ontem Curiosidades de Hoje. Girão-Revista de Temas Culturais do Concelho de Câmara de Lobos, nº4, 1º semestre de 1990, 163-164.
Diário de Notícias, Funchal, 22 de Dezembro de 1918.
Diário de Notícias, Funchal, 1 de Janeiro de 1919.
Diário de Notícias, Funchal, 30 de Agosto de 1920.
VELOSA, Tomé. Faleceu o Rev. Cónego Dr. Agostinho Figueira Faria. Jornal da Madeira, Funchal, 25 de Julho de 1980.
 

 

 

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Manuel Pedro Freitas

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