CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

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José Gonçalves Faria

 

 

Faria, José Gonçalves

José Gonçalves Faria é natural da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, onde nasceu a dia 22 de Maio de 1934 e onde faleceu a 4 de Dezembro de 2013. Em 1948, quando contava com 14 anos emigrou para a Venezuela na procura de novos horizontes, de uma vida melhor, como aliás, acontecia com muitos outros madeirenses e jovens da sua idade. No passaporte levava aposta como profissão agricultor, ocupação que ao chegar à terra de Simon Bolivar continuou a exercer. Em resultado do seu árduo trabalho, a que se associou algum bafo de sorte, foi pouco a pouco, progredindo nos seus negócios, tornando-se num importante agricultor e comerciante de produtos agrícolas, com particular realce para o ramo da fruticultura.
A par da sua actividade comercial, José Gonçalves Faria, nutre pela pintura uma particular dedicação, factos que, associados ao seu contacto fácil com as pessoas, tornaram-no numa figura algo carismática e popular em Los Teques, não só entre os seus amigos e conhecidos como até mesmo entre as diversas autoridades desta região. Fruteiro de Los Teques, o pintor de Los Teques, são algumas epítetos porque este pintor do Estreito é conhecido em Venezuela. O seu gosto pela pintura vem desde os tempos de criança, tendo sido por ocasião da sua entrada na escola primária, pela maior oportunidade de contactar e manusear o lápis e papel, o momento em que mais se fez sentir as suas aptidões para o desenho e pintura.
Em 1956, por ocasião de uma visita aos seus familiares na Madeira fica como que hipnotizado pelo equipamento de pintura que vê numa montra de um estabelecimento comercial e não resiste à tentação de o comprar. Feito turista, uma vez que, eram eles os únicos que o madeirense anónimo podia encontrar a pintar panorâmicas madeirenses, instala o seu equipamento num local estratégico em frente à igreja paroquial do Estreito e produz a sua primeira obra, a sua primeira pintura. Dela, hoje apenas guarda recordações, uma vez que não está na sua posse, facto que com alguma mágua lamenta. O seu segundo quadro foi o de uma panorâmica sobre Câmara de Lobos e Cabo Girão, quadro que de certo modo o viria a incentivar o ânimo na progressão da sua faceta de artista, uma vez que alguém lhe terá oferecido quinze mil escudos, o que, na altura, era muito dinheiro.
Sem formação em pintura, a sua carreira e evolução neste sector artístico é sobretudo baseado no auto-didactísmo, ainda que não esconda ensinamentos e influências provenientes de importantes pintores que teve oportunidade de conhecer ou contactar.
Encontros com Max Römer, grande pintor alemão que durante vários anos viveu na Madeira e cuja presença ficou registada em inúmeras pinturas e com quem teve oportunidade de contactar de perto, influenciaram-no profundamente no gosto pela pintura e nalgumas das técnicas que utiliza. O contacto com a esposa de Max Römer, Lis Römer, de quem José Faria guarda gratas recordações constituiu, também, pelos incentivos dados, um marco importante na sua carreira.
Da mesma forma, a figura de Winston Churchil o terá marcado profundamente no seu gosto pela pintura. Ainda que não tivesse estabelecido qualquer contacto ver-bal, é com alguma nostalgia que recorda a imagem guardada há tantos anos na sua retina, da presença e da figura "sui generis " deste grande estadista britânico, em 1952, em Câmara de Lobos, a pintar a sua Baía.
No dia 12 de Julho de 1981, na Casa da Cultura de Los Teques, divulga pela primeira vez alguns dos seus trabalhos. Foram 35 o total das obras, nessa altura ex- postas, tendo, para além de surpreender várias pessoas ligadas ao meio cultural de los Teques, recebido vários comentários elogiosos, inclusive de pintores consagrados, na Venezuela, como Benito Chapellin que no livro de visitantes felicita José Gonçalves de Faria e o encoraja a continuar.
No dia 15 de Maio de 1982 participa numa exposição colectiva comemorativa do 50º aniversário do Hospital Policlínico de Los Teques, realizada na Casa da Cultura de Los Teques.
No dia 17 de Outubro de 1984, voltou à mesma Casa da Cultura Miranda para expor cinquenta quadros seus e que marcaram uma fase importante no trajecto artístico do pintor: a utilização do azul como única cor. A este propósito o jornalista Julian Martinez Fuentes, do bi-semanário Miranda editado em Los Teques, na sua edição de 31 de Agosto e em que se anunciava a realização desta exposição referindo-se aos quadros de José Faria, escrevia: "Son admirables los matrices que consiegue este artista con la utilización del color azul solamente. Tristeza, profundidad, tranquilidad, brillo, majestuosidad y ante todo, continuidad em el proceso atístico, hacem de los cuadros de José Gonçalves Farias, verdaderas manifestacions de la interpretación paisajistica (...)"
"Los efectos ópticos, los movimientos de perspectivas, la combinación de color azul en el lienzo blanco, dan a la pintura de este artista una originalidad increible".
No dia 16 de Setembro de 1986 expôs vários dos seus trabalhos no salão do Teatro Municipal do Funchal.
Em 1991 vê um seu quadro, "Mujer Peinándose", seleccionado para a exposição mundial realizada no palácio de Belém, em Lisboa.

 

 

Câmara de Lobos

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Manuel Pedro Freitas

Câmara de Lobos, sua gente, história e cultura